Sempre gostei de ler, desde pequena. E isso não é um papo ‘piegas’. É verdade. Quando se é filha única, em uma família pequena, sem muitas crianças com sua idade e, além de tudo, os pais trabalham fora, a leitura é um bom meio de te levar para outros lugares, sem você sair de casa.
E assim foi. Era sagrado todo domingo meu pai visitar a Banca do ‘Jarbas’, comprar seu jornal e os dois gibis da Turma da Mônica que deveriam durar a semana toda. Mas nunca duravam.
Ao longo do tempo evolui dos gibis para os livros, principalmente, os de suspense e terror, que até hoje conseguem me deixar apreensiva e com aquele gostinho de quero mais. Nada como alguns contos do Stephen King (como eu disse, alguns) para deixar aquela tarde chuvosa com um ar meio ‘estranho’. Seguindo em frente, para atender a esse hábito, busquei uma profissão que pudesse unir minha vontade de ‘devorar’ palavras à possibilidade de deixar minhas palavras, minhas impressões, ao acesso de todos.
Toda essa passagem vem para ilustrar uma reflexão que quero fazer sobre a leitura. É impossível dar um número exato de pessoas que já ouvi dizer a frase ‘Não gosto de ler!’. Mas paremos para analisar. Como essas pessoas se comunicam se elas não gostam de ler? Como se comunicar se você não gosta de utilizar uma das ferramentas fundamentais para ampliar e desenvolver sua comunicação, expandindo assim seus horizontes? Sim, a resposta é óbvia. Afinal, para ler uma placa, um outdoor, uma faixa, para ligar um computador, para resolver um problema recebido por e-mail, as pessoas, pelo jeito, nem percebem que estão fazendo algo que não gostam.
Deixando de lado essa visão mais pragmática e voltando ao foco da reflexão, a leitura não pode ser deixada de lado ou taxada como algo não praticável. Se as pessoas lêem simples placas, outdoors e até bulas de remédio, por que não ampliar essa leitura até um jornal, revista ou outro tipo de meio? Como sempre digo, as pessoas não podem mudar e não devem mudar, pois é sua essência que contribui, de forma particular, ao caminhar do mundo. Mas pessoas podem melhorar (com a mesma rapidez que podem piorar) aspectos de sua vida.
E é aí que o hábito, o interesse pela leitura pode começar a ser trabalhado. Primeiro, com coisas simples. Se achar a bula de um remédio interessante, leia-a. Afinal, é ali que dirá para que o remédio serve ou quais são seus efeitos. Se o panfleto de uma loja lhe interessou, leia-o. Inclusive as letras minúsculas. Nelas sempre temos algumas ‘surpresinhas’. E assim por diante.
Já as crianças seguem o exemplo dos adultos. Seu filho, sobrinho, irmão quer jogar vídeo-game? Deixe-o, mas depois conte a ele uma história de aventura que você leu em algum livro. Ou uma história em quadrinhos. Crianças também ficam fascinadas por histórias que possam fazer sua imaginação viajar.
É assim, com pequenas sementes, aqui e aquolá, que será possível tirar o estigma ruim da leitura, desenvolvendo uma população questionadora e com vontade de sempre conhecer o novo.