quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ela vai aqui ó....

Não adianta, por mais que você leia, releia, seja em voz alta, em voz baixa, para alguém, sempre sobra uma dúvida, nem que seja a mais pequenina possível, se determinada vírgula está aplicada de forma correta.
E essas são atitudes mais comuns do que você possa imaginar.
Quer aprender um pouco mais sobre ela? Vamos lá:

A vírgula vem para marcar uma pausa de curta duração. Ela pode ser empregada entre termos de uma oração e entre orações.

Vírgula entre termos de uma oração

- separar elementos em uma enumeração:

Quando estive na escola deveria ter algum secretário, professor, diretor que pudesse me atender.

Obs.: Se o último elemento enumerado for precedido da conjunção e, não há necessidade de vírgula. Mas se o e vier repetido em todos os elementos enumerados, a vírgula deve ser empregada.

- separar o aposto:

A avô de Pedro, um português boa pinta, achava que chegando ao Brasil tudo melhoraria.


- separar um vocativo:

- João, não deixe de arrumar sua cama!


- separa um adjunto adverbial antecipado:

Um dia, em casa, colocaremos um novo quadro na sala.


- isola o nome de um lugar nas datas:

Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 2008


- indica a omissão de um termo

No meio do salão, a mesa de jantar. E sobre a mesa, o corpo do preto velho, com duas velas à cabeceira.


Vírgula entre orações

- a vírgula vem para separar orações coordenadas assindéticas:

Olhou-me, cumprimentou-me, seguiu em frente pela rua.

- quando separa orações coordenadas sindéticas, com exceção das iniciadas pela conjunção e:

A casa é bela, mas a pintura é simples.

Obs. As orações coordenadas sindéticas serão separadas por vírgula quando:

- ter sujeitos diferentes:
A mãe saiu, e Rodrigo ficou ouvindo música.

- a conjunção e estiver repetida:
Eu digo, e gosto de repetir, e continuar repetindo a frase.


- quando separa orações intercaladas:

- A situação está pior, disse a vítima, precisamos que uma atitude seja tomada.


- isola orações subordinadas adjetivas explicativas:

O jovem Edvaldo, que salvou a vida do bebê, também gostou muito dele.


- separar as orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), especialmente quando estão antes da principal:

Sendo rico, mentiu que era pobre.


Gostou das dicas? Elas foram úteis? Então fique ligado, pois logo teremos mais dicas quentes a você!
Fonte:
Gramática, de Faraco & Moura.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Espalhe um pouco de sementes...

Sempre gostei de ler, desde pequena. E isso não é um papo ‘piegas’. É verdade. Quando se é filha única, em uma família pequena, sem muitas crianças com sua idade e, além de tudo, os pais trabalham fora, a leitura é um bom meio de te levar para outros lugares, sem você sair de casa.

E assim foi. Era sagrado todo domingo meu pai visitar a Banca do ‘Jarbas’, comprar seu jornal e os dois gibis da Turma da Mônica que deveriam durar a semana toda. Mas nunca duravam.

Ao longo do tempo evolui dos gibis para os livros, principalmente, os de suspense e terror, que até hoje conseguem me deixar apreensiva e com aquele gostinho de quero mais. Nada como alguns contos do Stephen King (como eu disse, alguns) para deixar aquela tarde chuvosa com um ar meio ‘estranho’. Seguindo em frente, para atender a esse hábito, busquei uma profissão que pudesse unir minha vontade de ‘devorar’ palavras à possibilidade de deixar minhas palavras, minhas impressões, ao acesso de todos.

Toda essa passagem vem para ilustrar uma reflexão que quero fazer sobre a leitura. É impossível dar um número exato de pessoas que já ouvi dizer a frase ‘Não gosto de ler!’. Mas paremos para analisar. Como essas pessoas se comunicam se elas não gostam de ler? Como se comunicar se você não gosta de utilizar uma das ferramentas fundamentais para ampliar e desenvolver sua comunicação, expandindo assim seus horizontes? Sim, a resposta é óbvia. Afinal, para ler uma placa, um outdoor, uma faixa, para ligar um computador, para resolver um problema recebido por e-mail, as pessoas, pelo jeito, nem percebem que estão fazendo algo que não gostam.

Deixando de lado essa visão mais pragmática e voltando ao foco da reflexão, a leitura não pode ser deixada de lado ou taxada como algo não praticável. Se as pessoas lêem simples placas, outdoors e até bulas de remédio, por que não ampliar essa leitura até um jornal, revista ou outro tipo de meio? Como sempre digo, as pessoas não podem mudar e não devem mudar, pois é sua essência que contribui, de forma particular, ao caminhar do mundo. Mas pessoas podem melhorar (com a mesma rapidez que podem piorar) aspectos de sua vida.

E é aí que o hábito, o interesse pela leitura pode começar a ser trabalhado. Primeiro, com coisas simples. Se achar a bula de um remédio interessante, leia-a. Afinal, é ali que dirá para que o remédio serve ou quais são seus efeitos. Se o panfleto de uma loja lhe interessou, leia-o. Inclusive as letras minúsculas. Nelas sempre temos algumas ‘surpresinhas’. E assim por diante.

Já as crianças seguem o exemplo dos adultos. Seu filho, sobrinho, irmão quer jogar vídeo-game? Deixe-o, mas depois conte a ele uma história de aventura que você leu em algum livro. Ou uma história em quadrinhos. Crianças também ficam fascinadas por histórias que possam fazer sua imaginação viajar.
É assim, com pequenas sementes, aqui e aquolá, que será possível tirar o estigma ruim da leitura, desenvolvendo uma população questionadora e com vontade de sempre conhecer o novo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

As armadilhas do Por que

Toda vez que estamos dialogando, discursando ou explanando alguma idéia, questionamentos podem surgir. Estes questionamentos chegam a ser inúmeros. Dentro do próprio jornalismo, para descrevermos claramente um fato ocorrido ao leitor, procuramos as respostas para 6 questões (lead).

Quando surge esta situação, uma das perguntas que normalmente nos fazemos é 'por que'? Mas, o 'por que' não é algo tão simples assim, afinal, seu uso se dá em diversas circunstâncias, sendo que sua grafia sofre alterações conforme a aplicação.

Que tal ficar por dentro de suas variações?

Por que

1) Usado em perguntas:
Por que o evento ocorreu semana passada?
Por que a reunião foi adiada?

2) Quando expressa razão ou motivo:
O chefe explicou por que a rua estava congestionada.
A mãe disse ao filho por que não deveria brincar na rua.

3) Quando o por que puder ser substituído por para que, pelo qual, pela qual, pelos quais ou pelas quais: Esta é a estrada por que (pela qual) seguiu.

Por quê
Seguindo os mesmos quesitos acima, porém, aparecendo no final das frases:
O padre não aceitou a confissão da moça. Por quê?

Porque
Quando possui o mesmo sentido de pois, porquanto, uma vez que, pelo fato ou motivo de que:
Fiz a lição rápido porque (pois) queria assistir ao espetáculo.

Porquê
Quando, utilizado como substantivo, substitui as palavras motivo, causa, razão, pergunta ou indagação:
A diretora não quis explicar o porquê da expulsão.

Ficou mais fácil compreender a utilização do por que?Até a próxima!

Fonte:
Manual de Redação e Estilo. O Estado de S.Paulo

terça-feira, 1 de julho de 2008

Quem tem medo da crase? - Final

Chegando ao fim com as nossas dicas para a utilização de crase, vou apontar aqueles casos em que a presença da crase é facultativa.

Prontos?

Além de todas as possibilidades já apresentadas, temos os seguintes casos:

1 – Logo depois da preposição até:

Eu o acompanhei até à (a) porta.


2 – Antes de nomes próprios femininos:

Ofereci à (a) Graça aquele emprego na padaria.


3 – Diante de pronome possessivo feminino

Amanhã, a enfermeira virá à (a) minha loja.


Finalizo aqui as explicações e dicas de como utilizar a crase de modo correto.
Mas fiquem ligados, pois ainda temos muitos outros temas a serem abordados!

Até a próxima!


Fontes:
Gramática Aplicada, de Paulo Sérgio Rodrigues Carvalho.
Gramática, de Faraco & Moura.
Manual de Redação e Estilo. O Estado de S.Paulo

terça-feira, 24 de junho de 2008

Quem tem medo da crase? Parte II

Vamos dar continuidade ao nosso estudo sobre a crase. Mas não se preocupem, este post está bem objetivo, de maneira a facilita e complementar as dicas enumeradas ontem.

Ocorrência de crase

Além dos já citados casos de crase antes de palavras femininas que admitem o artigo a e de outra palavra que exija a preposição a, podemos citar:

1 – Em locuções adverbiais femininas, com exceção das locuções adverbiais de instrumento, onde a crase é facultativa:

Cheguei à tarde.
Aqui a coisa tem que sair à força.
Uma noite, muito à escondida, o padre saiu de sua casa.


2 – Em locuções prepositivas femininas (formadas por a + palavra feminina + de):

As pizzas precisam ser feitas à moda do paulistano.

Obs. As expressões que levam à moda de, à maneira de, a palavra central pode ficar oculta, assim, a crase pode ficar antes de uma palavra masculina.


3 – Em locuções conjuntivas femininas:

É importante que as matérias sejam publicadas à medida que forem chegando.


Casos em que não ocorre crase


Como já sabemos, a crase não ocorre diante de palavras masculinas. Além, desta situação, podemos apresentar:

1- Diante de nomes de cidades:

Costumam ir a Vinhedo freqüentemente.


2- Em expressões formadas por palavras repetidas:

Eles estão face a face com perigo.


3- Antes de palavras no plural, caso o a esteja no singular:

Todo aquele texto equivale a páginas de estudos.


4 – Diante do artigo indefinido uma:

Acredito que a casa não precisa submeter-se a uma reforma.


5 – Antes da palavra terra, caso esta signifique terra firme:

Após um longo tempo de viagem, o barco chegou a terra.


6 – Ao anteceder nomes de santos e Nossa Senhora:

Pedro agradeceu a Nossa Senhora pela graça.


7 – Antes da palavra casa, se esta não vier acompanhada por adjunto adnominal:

Quando ele voltou a casa, já era noite.


8 – Diante de verbos:

Depois do expediente, eles começaram a beber.


9 – Diante de pronomes que não admitam artigos, como indefinidos, demonstrativos, pessoais, de tratamento e relativos:

Pedi que transferisse o caso a mim.

Obs. A exceção ocorre com os pronomes senhora e senhorita, pois ambos são antecedidos por crase.


Para finalizar, no próximo post indicaremos os casos facultativos de ocorrência de crase.
Até lá!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quem tem medo da crase? - Parte I

Resolvi iniciar as postagens neste blog com um tema que incomoda muita gente no momento de desenvolver um texto: a velha dúvida em como utilizar a crase.

Sim, é o fonema 'a' com um acento grave que gera confusão e tira o sono de muita gente, afinal, quando menos se espera, lá está você revisando seu texto quando se depara com uma frase que exija nossa 'amiguinha'.

Mas, para desmistificar toda essa áurea ruim em torno da crase, é que abaixo procuro trabalhar, de uma forma bem tranquila, seu conceito e dicas de como identificá-la.

Vamos lá?

A crase é a fusão de duas vogais idênticas. Para representá-la graficamente, utiliza-se o acento grave. Para que esta fusão ocorra, é preciso que o termo regente exija a preposição a e o termo regido admita o artigo a.

Dessa forma, podemos concluir que somente palavras femininas podem ser antecedidas por crase.

Mas existem algumas artimanhas que podem ser utilizadas para identificar a crase mais facilmente:

1 – Se, ao substituir a palavra feminina presente depois do a por uma masculina e, esta exigir a troca do a pelo ao, a crase será utilizada.

Temos amor à arte (Temos amor ao estudo)
Permaneci indiferente a ela (Permaneci indiferente a ele) – Não ocorre crase


2 – Se, ao substituir o a por para a(s), o para a(s) ocorrer, a crase será aplicada.

Fui à Nicarágua (Fui para a Nicarágua)
Converse, mas peça a ela que fique quieta depois (Converse, mas peça para ela que fique quieta depois) – Não ocorre crase


3 – Se, ao substituir o verbo ir pelo verbo voltar, ocorrer a expressão voltar da, a crase estará presente na frase.

Vou a Roraima (Voltarei de Roraima) – Não ocorre crase
Fui à padaria (Voltei da padaria)


Estas são dicas valiosas na identificação da crase. Mas fiquem ligados, pois amanhã trarei os casos em que ocorrem e não ocorrem crases.